"É na escuta que o amor começa. E é na não escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção".
Rubem Alves

Escola Casa da Infância

O Musical

O Musical não é uma apresentação, é uma experiência. Ou melhor, são muitas experiências vividas juntos, entre famílias, educadores e crianças. Cada encontro, cada música pensada, cada ideia transformada, é uma experiência, de estar junto, de pensar junto, de colaborar, de discordar, de construir... 

 

Como processo vivo, o Musical tem princípios, mas o roteiro, as ações, as aproximações se definem no processo, o que leva cada musical a ter um movimento único, com sua beleza e seus desafios. Buscamos ao máximo fazer sínteses dos encontros ao longo do processo como forma de comunicar aos que não foram os caminhos que foram sendo trilhados, mas sabemos que cada um se apropria dos processos à seu modo e à seu tempo
 

O Musical é um processo, não um produto. Por isso, não tem fim. Se faz e refaz a cada experiência. É uma continuidade descontínua. Cada coisa vivida e partilhada serve em si, como experiência e, diante do todo, serve como base, como raízes que se aprofundam, e que estão ali, mesmo que não as vejamos. É o pensamento de muitos, integrado e transposto. É um investimento de tempo e energia aliado ao exercício de desapego das próprias ideias.

 

Quantos significados isso pode nos proporcionar? Em tempos tão corridos, temos tão pouco tempo para a mudança e para a falta de controle. O não saber nos assusta. As transformações nos assustam. E, às vezes, nos desmotivam antes mesmo de comunicarmos os nossos sustos, ou os nossos não entendimentos, ou os nossos desagrados... 
 

Viver o caos inerente a qualquer processo aberto, vivo, vivido como experiência e não como repetição, nos convoca a dialogar com a nossa própria autonomia, liberdade, e relação com o que é comum, coletivo. Nos convoca a ser protagonistas, não como personagens principais e em destaque,mas protagonistas enquanto seres capazes de escolher, comunicar, fazer junto. De respeitar o próprio tempo, de criar vínculos e sentidos. De se ver no outro, pai, mãe, professor, colega, enquanto cada um coexiste, propõe, tem sua ideia considerada ou transformada.

 

Protagonismo é também a capacidade de governar a si mesmo, é ter ideias próprias, confrontar suas ideias com a do outro e defender seus pontos de vista fazendo valer um diálogo produtivo É poder viver experiências de forma única, não-homogênea e não repetitiva. É não precisar se expor se não quiser, mas poder viver, movimentar-se, cantar, dançar, observar, segundo os desejos do seu corpo e da sua alma. Protagonismo é não precisar fazer algo por alguém, mas desejar fazer algo conjuntamente.